quarta-feira, 9 de outubro de 2013

encontro de sexta feira, 04 de outubro

Neste primeiro encontro com o elenco, tivemos a oportunidade de fazer duas leituras do texto.
Na primeira, de sondagem, foi uma apreciação do texto. De forma a ser ter uma imagem geral da obra. Isso é importante para se perceber que o trabalho com as cenas é coletivo: mesmo que não haja falas assinaladas paras as personagens, é preciso pensar nas ações, pois todos estão sendo observados pela audiência.
Na segunda leitura, tivemos um comentário mais específico cena a cena, com sugestões de possíveis encenações e indicações para a interpretação. Lembrar que a construção da interpretação vai se dar durante os ensaios.
Algumas coisas que podem ser destacadas:
1- a organização da obra a partir da situação de sua apresentação. Como o texto nos apresenta um lar com homogeneidade de respostas ao natal e uma personagem que não acredita no natal, essa diferença é comparável com o encontro entre aqueles que vão ser convidados e os que são da casa. A peça se estrutura nesse conflito de visões, de perspectivas, procurando atingir a todos.
2- as personagens não possuem nomes, e sim funções: o pai, a mãe, etc. O visitante é o que quebra com  o padrão, com a expectativa. Ele é o sem família, tema importante da peça e do contexto de apresentação do espetáculo- a solidariedade.
3- a peça se organiza na alternância entre partes faladas e partes cantadas. O entrechoque entre as partes vai crescendo a partir do momento em que o Visitante mostra um outro lado em relação ao natal. Assim, toda a alegria do natal é reconsiderada, mas ela continua a existir nas canções. Como haver alegria se alguém está triste...
4- Uma coisa notada é o cuidado com uma interpretação mais informal, não afetada, sem exageros, mais realista, como se as pessoas ali fossem uma família mesmo.
5-algumas cenas mais complicadas podem ser feitas com partes pré'gravadas. principalmente os diálogos entre Pai e Visitante na rua.

O trabalho do primeiro encontro foi o que chamamos trabalho de mesa- uma leitura de aproximação do texto.
Algumas coisas precisam ficar claras: quem vai para a cena não vai sozinho. Vai acompanhado dos outros atores. Por isso a importância dos ensaios, das descobertas durante os ensaios. Cada ensaio é uma apresentação. Aquilo que você faz no ensaio, você vai fazer na apresentação.  Por isso, ensaio não é lugar para decorar texto. Antes de decorar é preciso entender o que se está fazendo em cena. Perguntas básicas: que personagem é este que estou fazendo, qual sua biografia, como ele fala, como ele anda, como ele olha, gestos característicos, como ele se relaciona com as outras personagens, o que ele faz em cada cena, o que ele faz quando não fala, como ele entra e sai de cena.
Assim, estudando em casa, vindo preparado para os ensaios, as coisas fluem com mais facilidade.
E um ator assim consciente do que faz não vai sair do seu papel e se perder ao olhar o público. Pois ele está interagindo com seus colegas, com a peça. 

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